quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Como se dá o início da estratégia de alocação de ativos?

Escrito por Jonas em:


Como se dá o início da estratégia de alocação de ativos?

Em primeiríssimo lugar, tomando consciência da mudança de paradigma que adotar essa estratégia representa.

Sem perceber que alocação de ativos é um método para gerenciar investimentos no longo prazo, procurando superar benchmarks como o CDI para o total do portfólio, e não uma estratégia especulativa visando obter ganhos impressionantes, iniciar uma estratégia desse tipo pode trazer mais prejuízos do que outra coisa.

Em alocação, aceitamos o fato de que obter um pequeno alfa em relação ao CDI já basta pra compor os resultados de longo prazo em níveis satisfatórios.

Aceitamos que a estratégia é conservadora, não trará enriquecimento rápido, e que é voltada para nos trazer rentabilidade aceitável, com grande redução do risco global do portfólio.

Aceitamos que as tentativas de operar o timing dos mercados deixam de ser importantes, passando a avaliar os momentos de compra e venda de ativos mais de acordo com os desvios percentuais da carteira, do que com futurologia, seja ela de que tipo for.

Aceitamos que a composição de resultados no longo prazo será a principal aliada da rentabilidade, e que ela só mostrará seu efeito completo depois de alguns anos de operação.

Consolidamos a percepção da importância do recebimento de dividendos no resultado geral de longo prazo.

E principalmente, nos rendemos à imprevisibilidade do mercado, e abandonamos a busca de emoção e adrenalina que muitos encontram na atividade especulativa, e que impede que modelos de longo prazo sejam bem geridos.

Quem busca emoção no mercado, não parece ter nascido para alocar recursos, nem para investir com foco de longo prazo.

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A partir daí, devemos procurar estabelecer um mix de ativos e de classes de ativos que cumpra o papel de reduzir a volatilidade total do portfólio, através da co-variância entre os componentes da carteira.

Para isso é preciso observar o tamanho total do portfólio, e definir porcentagens e quantidade de ativos que não resultem em custos excessivos de operação, e que permitam que se possa vender parte de um ativo, e não ele todo, caso seja necessário re-alocar recursos (o que será necessário, e faz parte do "core" do modelo).

Depois, escolher os instrumentos (fundos, tesouro direto, etc) através dos quais investiremos em determinados ativos, como moedas estrangeiras, ouro, renda fixa, etc.

Depois, escolher boas ações, com base naquilo que faça sentido para o seu perfil. Eu escolho primeiro com base macroeconômica, depois fundamentalista, e em terceiro lugar, procuro bons pontos técnicos de entrada e saída.

É recomendável que a aquisição dos ativos seja feita gradualmente, através da técnica de preço médio, adquirindo os ativos regularmente, em pequenas partes, evitando adquirí-los em um único momento no tempo.

Outro ponto a ser considerado é a aquisição concomitante de ativos com correlação inversa, ou seja, adquiriu 30 mil em ações, adquira 30 mil em câmbio e 30 mil em renda fixa ao mesmo tempo. Desse modo, a alocação já vai tomando forma, e já oferecendo a redução de volatilidade que dela se espera.

Muito importante também é definir bem qual será a sua política de re-alocação, e que fatos serão geradores dessa atividade. Desvios percentuais da alocação? Tempo? Análise técnica? Uma vez definidos, é importante avaliá-los regularmente, em busca de otimizar esse processo.

Obviamente, não é só isso. A leitura completa deste tópico, além da constante busca por novas informações, pode ajudar muito a tentar compreender todas as nuances envolvidas nessa mudança de paradigma.

O "resumão" acima não foi feito com a pretensão de ser um guia infalível e definitivo, mas tão somente uma resposta ao seu questionamento, sem que seja necessário escrever uma tese de 500 páginas.



Achei esse resumo apos ler praticamente todas as páginas deste fórum.



Alguns gráficos interessantes:






Por fim, até o momento chego na conclusão que o meu %RF x %RV não será imutável. Talvez a melhor opção no momento é 50%RF, 50%RV para proteger da minha própria ignorância e pelo retorno/risco ser razoável.



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